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CLM – glória de Deus e promoção humana

Isaac Souza (ALEM)
Nos grandes e pequenos centros acadêmicos, tentaram nos fazer crer que as ciências podiam ser dividas em pura e aplicada. A pura teria um fim em si mesma e a aplicada serviria como meio para solução de problemas da comunidade pesquisada. Estudiosos pós-modernos denunciam essa manobra e mostram que as ciências sempre estiveram a serviço de algum segmento social, nunca sendo puras.

Desde seu início, o CLM foi arquitetado para glorificar a Deus através do processo de ensino-aprendizagem e do preparo de pessoas para o desenvolvimento de atividades promotoras do bem-estar humano entre as etnias do Brasil e do mundo. Nesse sentido, ele tem mobilizado pessoas de diferentes denominações, como Assembléia de Deus, Presbiteriana, Batista, entre outras, e de diversas regiões do mundo, como Brasil, Japão, Coréia do Sul, Nova Zelândia, México, Costa Rica, Peru, Alemanha, Bolívia, Venezuela, Inglaterra, Estados Unidos, Argentina, Angola e Guiné Bissau.

Por causa desse tipo de iniciativa, os missionários têm sido acusados de ajudarem os povos indígenas nas áreas de saúde, educação e desenvolvimento auto-sustentável somente como desculpa para traduzir a Bíblia e para divulgar a mensagem do Evangelho. De fato, o esforço missionário uma área acadêmica visa contribuir com as outras áreas de atuação. Não como desculpa, mas como reconhecimento de que o cristianismo promove o ser humano em sua esfera integral: corpo e alma (espírito). Por isso mesmo, o CLM tem promovido a participação indígenas em sala de aula, entre os quais representantes Makuxi, Tikuna, Tukano, Terena e Xikrin-Kayapó.

Historicamente, as diferentes etnias têm reconhecido os esforços integrais dos missionários como algo positivo. Alguns indígenas começaram a criticar a postura dos pesquisadores que visitavam suas áreas e desapareciam como o vento, sem deixar vestígio daquilo que anotaram. Alguns protestaram afirmando que as ciências desenvolvidas por esse segmento acadêmico não enchia barriga. Uma antropóloga americana, comparando os esforços missionários com as atividades de alguns pesquisadores, intitulou seu artigo da seguinte maneira: “Melhor alimentados do que Mortos (Better fed than dead, em inglês). Realmente, se os missionários desenvolvessem seus esforços humanitários somente como desculpas para a tradução das Escrituras e para a divulgação do Evangelho, ainda assim suas atividades seriam muito mais elogiáveis do que as daqueles que sugam o etno-conhecimento das sociedades humanas sem retribuir-lhes nada. Mas os missionários não praticam esse tipo de solidariedade interesseira. Há exemplo de um casal missionário que passou diversos anos em uma aldeia lecionando, auxiliando em roças e tratando da saúde dos indivíduos. Por motivos pessoais, eles tiveram que se retirar do local. Anos depois, veio outro casal. Fizeram as mesmas coisas e tiveram oportunidade de pregar o Evangelho. Quando começaram a explicar a vida de Jesus, os nativos comentaram: nós o conhecemos, ele viveu entre nós com sua esposa e depois foi embora. Eles se referiam ao primeiro casal evangélico, que nunca teve a oportunidade de abrir a boca para anunciar Jesus, mas que o fez via seus esforços práticos. O CLM visa preparar casais como esses.
 
 

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